quinta-feira, 20 de dezembro de 2018


Ibn ‘Arabi legou um dia para a história o magistral aforismo: “O meu coração abriu-se a todas as formas: é uma pastagem para gazelas, um claustro para monges cristãos, um templo de ídolos, a Ka’bah do peregrino, as tábuas da Tora e o Alcorão. Pratico a religião do Amor; qualquer que seja a direcção em que a sua caravana avance, a religião do Amor será sempre o meu credo e a minha fé”.
“Um Certo Oriente” é o resultado, um misto, de reflexões, estudos devotos, pesquisa apurada, cuidada observação, análise atenta, feito de pulsares, do coligir de vivências, dinâmicas, mundos, sensibilidades, alfobre de imensuráveis testemunhos que se perscrutam numa cálida e silente hereditariedade de indeléveis recordações, experiências, conhecimento e saber registados ao longo do tempo, nas minhas viagens de peregrinação pessoal, interior e geográfica e, no fim, a partilha discreta ainda que abnegada, séria e elevada, de todas essas impressões, com todos vós, que me acompanham nesses trilhos.
Procuro sempre investir na metáfora do tempo, lugares e situações que, do meu ponto de vista, jogam sobre a divulgação do inesperado. Com efeito, para além da letra impressa e que, de todo em todo, se acomoda ao estatismo das histórias ou ao registo das experiências particulares, existe também a representação múltipla do outro lado dos seres e das coisas, a mobilidade do real, a vida e as pessoas, todo um mundo de impressões que tento recuperar, abrangendo o segmento religião e científico, aliando algumas formas de criatividade estética à convocação de questões imediatamente interessantes de ordem cultural, social e histórica.
E porque essa busca do Saber é contínua e imutável, é tempo de fazer uma pequena pausa e voltar a pegar na mochila, montar a corcova do dromedário, regressar às dunas, submerso na solidão tórrida do meio-dia ou no fascínio gélido da noite do deserto. O “meu” Oriente. Terra-mãe, lugar familiar, berço e até sudário, manancial do questionamento e da resposta. Seguir um pouco mais adiante, ao encontro do que sou, até onde o Destino me levar, até onde a vontade de Deus está primordialmente presente, através dos roteiros da fé, da aventura e dos sonhos. 
Um abraço amplo, autêntico e sentido a todos quantos me têm acompanhado, lido e divulgado, traduzido no radical árabe intra-flexionado de raiz trilítere “S-L-M - Salam, Salym, Salim” - que o ocidental costuma traduzir por “paz”, “amizade”, “confiança”, “integridade” (no sentido físico e moral), “saúde” (fórmula universal de saudação), “salvação”, “aceitação” e “tolerância”. 
Vamo-nos lendo por aí. “Insh’Allah”.

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