domingo, 13 de maio de 2018

O Mês de Ramadão (II)


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No decurso do dia de jejum, é possível consumirem-se duas refeições; a primeira toma-se após o pôr-do-sol (chamada de “iftar”), momento para reunir os membros da família e os amigos numa celebração de fé e de alegria e, a segunda, antes do recomeço do jejum, bem antes da alvorada, durante madrugada (a “suhoor”). O profeta Maomé terá recomendado quebrar os jejuns com encontros, incentivando a sua comunidade (“’ummah”) a convidar outros para quebrar o jejum em comunhão.
O mês de Ramadão é considerado como um mês de recolhimento, dedicação, devoção efectiva, meditação, altruísmo, força de vontade e penitência, em que os devotos mais ortodoxos ocupam a maior parte do seu tempo na leitura do Alcorão, ou de quaisquer outras obras sobre o Islão, desfiando o “tasbih”, rosário muçulmano de trinta e três ou noventa e nove contas, “misbaha”, enquanto glorificam Deus: “subhana Allah” (“Glorificado seja Deus”), repetido 33 vezes, “al-hamdu li-Llah” (“Louvado seja Deus”), dito outras 33 vezes, e “allahu Akbar” (“Deus é Grande”), citado mais 33 vezes, designando os noventa e nove sublimes atributos e “belos nomes” de Deus, proferidos continuamente como profissão de fé e homenagem de adoração. 
Segundo a teologia muçulmana, os “Nomes de Deus” e a representação vocalizada dos Seus “atributos” serão quatro mil. Mil desses nomes sagrados serão conhecidos somente por Deus, outros mil por Deus e pelos anjos, os outros mil por Deus, pelos anjos e pelos profetas e os restantes mil por Deus, pelos anjos, pelos profetas e pelos crentes. Desta última milena, trezentos estão mencionados na Tora, trezentos nos Salmos, trezentos nos Evangelhos e cem no Alcorão. Entre estes cem, noventa e nove são conhecidos pelos fiéis comuns, enquanto um se mantém desconhecido e secreto, apenas acessível aos muçulmanos mais reverenciadores no dia do “juízo final”.
A imobilidade sazonal do jejum acrescenta-se assim ao rigor de um costume que, mesmo abrandando as actividades diurnas e alterando a existência quotidiana, persiste, porque o Islão atribui-lhe uma das mais altas expressões de devoção espiritual, benevolência e solidariedade humana com os mais desfavorecidos. Coesão sublinhada, no fim do jejum, por uma das manifestações mais respeitadas no Islão: a “Id’ul-fitr” ou “Id as-saghir” (“festa da ruptura do jejum” ou “festa pequena”), que ocorre quando a lua nova é avistada no céu, isto é, quando no calendário se dá início ao mês seguinte, o de “shawwal”, e que inclui orações e distribuição de alimentos e esmola pelos pobres. É comum, em todas as cidades islâmicas, decorrerem grandes celebrações em ambiente de intensa congregação.
Este mês representa, em suma, para os devotos muçulmanos de praticamente todas as idades e correntes de interpretação, um sentimento especial de entusiasmo emocional e zelo religioso. 
Ramadan karim. Ramadan mubarak.

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