domingo, 6 de maio de 2018

O Amor e o Velho Barqueiro


Conta uma lenda árabe que, certo dia, chegado à margem do grande rio, o «Amor» avistou três barqueiros encostados, indolentes, às pedras. Dirigiu-se ao primeiro: “queres, meu bom amigo, levar-me para a outra margem do rio?”. Respondeu o interpelado, com voz triste, cheio de angústia: “não posso, menino! É impossível para mim!”
O «Amor» recorreu, então, ao segundo barqueiro, que se divertia a atirar pedrinhas ao seio tumultuoso da corrente. “Não. Não quero! Não posso!”, respondeu secamente.
O terceiro e último barqueiro, que parecia o mais velho, não esperou que o «Amor» viesse pedir-lhe auxílio. Levantou-se tranquilo e, estendendo-lhe bondosamente a mão firme, disse-lhe: “vem comigo, menino! Levo-te sem demora para o outro lado.”
A meio da travessia, notando o «Amor» a segurança com que o velho barqueiro navegava, perguntou-lhe: “quem são aqueles dois que se recusaram a atender o meu pedido?”
“Menino...”, respondeu, paciente, o bom remador, “o primeiro é o «Sofrimento» e o segundo é o «Desprezo». Bem sabes que o «Sofrimento» e o «Desprezo» não fazem passar o «Amor»...”
“E tu, quem és, afinal?…”, consultou o «Amor». “Eu sou o «Tempo», meu filho”, atalhou o velho barqueiro. “Aprende para sempre a generosa verdade: só o «Tempo» é que faz passar o «Amor»!”
E continuou a remar, numa cadência certa, como se o movimento dos seus braços vigorosos fosse regulado por um pêndulo invisível e eterno...
Sofrimento, Desprezo… Que importa tudo isso à essência humana, à fraternidade entre as famílias, entre os povos e as culturas e ao coração apaixonado? O Tempo e só o Tempo é que faz passar o Amor.

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